Maio 12, 2008

Cartas de amor

Todas as cartas de amor
são ridículas.

Não seriam cartas de amor
se não fossem ridículas.

Também escrevi, no meu tempo,
cartas de amor como as outras,
ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
têm de ser ridículas.

Quem me dera o tempo,
em que eu escrevia
sem dar por isso, cartas de amor,
ridículas.

Afinal, só as criaturas
que nunca escreveram Cartas de amor
É que são ridículas...

Fernando Pessoa

Maio 08, 2008

Cantar II

Cantar I

Maio 05, 2008

Crise II

Parece que o Porto também está uma selva: um jaguar atacou o metro.

Abril 21, 2008

Crise

O trânsito em Lisboa está uma selva. Grande parte das vezes que ando de automóvel avisto pelo menos um Jaguar.

Abril 19, 2008

Problema por resolver

Esta notícia refere um problema que continua sem solução na sociedade portuguesa. Infelizmente o PS, em vez de abordar o assunto de frente e dissipar suspeitas passadas, só tem contribuído para agravar essas suspeitas. Destaco o que me parece mais significativo.
A juíza-desembargadora Joana Salinas, da Relação do Porto, pediu hoje a formação prévia dos magistrados que julgam abusos sexuais sobre menores porque alguns "nem os filhos suportam" e falta-lhe "aptidão" para lidar com estes casos.

Na sua comunicação, a desembargadora criticou a alteração do Código Penal que reduz uma sucessão de crimes sexuais sobre um menor a um único crime, na forma continuada.

No congresso, a psicoterapeuta Catarina Ribeiro afirmou que apenas três a cinco por cento das alegações de abuso sexual, feitas por crianças, são falsas.

Eleições no PSD

Os militantes do PSD têm a oportunidade de decidir se querem um partido nacional de oposição a sério (só o será quando Sócrates tiver que o levar a sério) ou se querem apenas um clube de autarcas.

Abril 17, 2008

Dia mundial ...

Será que já existe o dia mundial dos dias mundiais? Nesse dia poderíamos reflectir sobre a importância dos dias mundiais na nossa sociedade e divulgar os diversos dias mundiais a comemorar ao longo do ano.

Outro dia mundial seria o dia mundial de todos os tópicos que têm um dia mundial (este foi inspirado no dia de todos os santos, católico).

Mais difícil seria criar o dia mundial de todos os tópicos que não têm um dia mundial.

Fevereiro 14, 2008

Alguma coisa está errada com as senhoras...

Foi o que disse Jorge Branco, coordenador do Programa Nacional de Saúde Reprodutiva, a propósito das repetições de abortos legais, depois de ter dito que "A culpa não é do sistema."

Mas vale a pena ler o que escreve Maria José Nogueira Pinto sobre este assunto no DN.

Janeiro 24, 2008

Sócrates e a liberdade de expressão

Sócrates apresentou uma queixa judicial contra um blogger. O motivo formal da queixa terá sido o facto de o blogger ter feito referência à "força de encobrimento e contra-informação do centro de comando e controlo do Gabinete do Primeiro-Ministro".

Se estre tipo de opinião política é para Sócrates algo que deve ser levado à justiça então há sérias razões para ficarmos preocupados com a democracia em Portugal enquanto Sócrates tiver qualquer cargo de responsabilidade política. Se dizer isto fosse uma ofensa a ser tratada em tribunal e não uma afirmação sobre a política do país, quantos processos não deveria Santana Lopes ter levado à justiça durante o tempo em que foi primeiro ministro?

Outra hipótese é que Sócrates tenha apenas querido perseguir o blogger porque este investigou e denunciou factos da vida académica pública de Sócrates que este nunca esclareceu completamente. Na verdade alguém com o peso de Sócrates não tem dificuldade em arranjar bons advogados (pagos pelo Estado, já que Sócrates se disse ofendido enquanto PM?). Em contrapartida um blogger que vive do seu ordenado pode ter que gastar muitos ordenados só para se defender de uma queixa, por mais cretina que seja essa queixa.

Qualquer das duas hipóteses anteriores deixa Sócrates no papel de alguém que eu não gostaria de ver à frente dos destinos deste país. Já chega de prepotências pessoais. Onde estão as virtudes republicanas?

Janeiro 20, 2008

La Sapienza

Sobre a (não) ida do Papa à Universidade La Sapienza em Roma, parece-me menos relevante a questão da liberdade de expressão do Papa do que a fundamentação apresentada no protesto. Deixo também de lado a apreciação do cancelamento por parte do Papa porque não tenho quase nenhuma informação sobre as suas causas.

Ora, seguindo o link do post do De Rerum Natura, verifico que se dá uma grande importância ao facto do cardeal Ratzinger ter citado em 1990 um autor, Feyerabend, que terá dito: «Na altura de Galileu, a Igreja mostrou ser mais fiel à razão que o próprio Galileu. O julgamento contra Galileu foi razoável e justo».

Quem já tiver lido mais do as peças de propaganda sobre Galileu saberá que, mesmo podendo-se discordar desta frase, há incerteza histórica suficiente para não a rejeitar liminarmente.

Mas vale a pena ir um pouco mais longe e procurar o texto original de Ratzinger. Encontra-se na net um excerto com esta passagem.

Do que li percebi que Ratzinger refere que a resistência da natureza à manipulação pelo homem introduz um elemento novo na situação cultural e dá (entre outros) um exemplo concreto que é o facto de um folósofo agnóstico-céptico como Feyerabend ter escrito aquela frase.

Não há dúvidas que Ratzinger desafia eticamente a ciência e os cientistas. Mas este é o papel dos filósofos, dos religiosos e de todos nós. A ciência em si própria não tem, nem tem que ter, uma componente ética sobre a sua aplicação. Quem a tem que ter são os cientistas e todas as pessoas em geral.

A utilização desta frase na carta dos 67 professoras de La Sapienza sugere-me três explicações (não mutuamente exclusivas): - uma abordagem tremendamente superficial de um discurso de Ratzinger (absolutamente incompatível com o espírito académico que dizem defender); - uma resistência a quem os desafia eticamente; - uma reacção pelo facto de Ratzinger denunciar que há filósofos não religiosos que, num caso tão emblemático como o de Galileu, reconhecem que a Igreja enquanto instituição podrá ter feito mais apelo à razão do que o próprio Galileu.

Em qualquer dos casos a carta dos 67 professores parece estar mais ao nível de um panfleto político (de algum daqueles partidos portugueses com menos de 5000 filiados) do que ao nível de um documento em que um conjunto de professores universitários defende fundamentadamente o nível académico da sua Universidade.

Janeiro 11, 2008

Primeiras impressões

Parece que finalmente foi quebrado o tabu da Ota. O governo acabou por tomar a decisão mais correcta das duas a que se restringiu.

O relatório do LNEC foi divulgado em simultâneo com a decisão. Não me parece a melhor ideia. Mas permite ao governo salvar o mais possível a face. É que quando se vê o relatório (aqui) começa-se a perceber que o 4-3 é para disfarçar.

Uma das mais importantes vantagens de Alcochete é a opção de expansão. É difícil quantificar o seu valor mas o próprio relatório apresenta estimativas "sugerindo valores que oscilam desde os 1.000M€ aos 1.835M€." Nenhum destes valores entra na análise financeira, figurando apenas como aspecto qualitativo! Parece ainda que as duas localizações foram comparadas sem considerar os ganhos que serão possíveis reorganizando as acessibilidades em função da escolha de Alcochete.

Tudo junto, ganha quem devia ganhar mas o árbitro quis evitar a goleada para não envergonhar quem até aqui apoiava a Ota.

Janeiro 09, 2008

Aldrabice?

Segundo o Público de hoje o governo estaria a ponderar não divulgar o estudo do LNEC sobre o novo aeroporto antes da decisão final.

Se assim fosse o relatório do LNEC seria apenas parte de um embuste. Depois de todos os estudos feitos e discutidos em Público, o facto de se esconder aquele que se quer decisivo mostra que não se confia minimamente na qualidade desse estudo quando exposta ao escrutínio dos técnicos e do público.

O processo do novo aeroporto teve uma grande vantagem: trazer para a discussão pública uma decisão técnica e política da maior importância para o país. Concluir este processo com uma decisão do governo com base num relatório secreto seria a pior forma de o fazer.

Janeiro 01, 2008

Feliz 2008

São os meus votos para todos.

Dezembro 26, 2007

A mão esquerda de Deus

Muitas vezes a Igreja deixou-se envolver em projectos de poder terreno. Contra o ponto de vista do Evangelho. Infelizmente também não é frequente a capacidade de renunciar a esses projectos. Nessas alturas tem funcionado a "mão esquerda de Deus". Conhecia esta expressão a propósito da perda dos Estados Pontifícios, no século XIX. A Igreja perde o poder terreno pela mão daqueles que classifica como inimigos mas que, no fundo, lhe fazem um favor e actuam como mão (esquerda) de Deus.

Recentemente em Portugal houve dois projectos deste género: a TVI e o BCP. Acabam os dois nas mãos daqueles que a Igreja classifica em geral como inimigos.

É tempo de procurar voltar a confiar mais na força do Espírito do que nos poderes deste mundo.

Novembro 24, 2007

Em cadeia

O ON passa-me o desafio de continuar esta cadeia:
  1. Pegue no livro mais próximo, com mais de 161 páginas – implica aleatoriedade, não tente escolher o livro;
  2. Abra o livro na página 161;
  3. Na referida página procurar a 5.ª frase completa;
  4. Transcreva na íntegra para o seu blogue a frase encontrada;
  5. Aumentar, de forma exponencial, a improdutividade, fazendo passar o desafio a mais 5 bloggers à escolha.
Não resisti a transcrever a 5.ª frase de dois livros (olhei primeiro para um menos próximo e depois descobri o outro mais próximo).

When a trader writes options, there is a requirement that funds be maintained in a margin account.
in John Hull, Options, Futures & Other Derivatives, Prentice Hall, 2000.

As outras crianças apresentaram ganhos pouco visíveis, provavelmente porque em muitas casas a estimulação cognitiva que é oferecida às crianças é bastante superior à de muitos centros.
in Gabriela Portugal, Crianças, famílias e creches - Uma abordagem ecológica da adaptação do bébé à creche, Porto Editora, 1998.

Tenho que confessar que achei piada à experiência.

Passo a cadeia aos 5 primeiros leitores que passarem por aqui e ainda não tiverem respondido à cadeia.

Novembro 12, 2007

OuTrA vez?

Durante algum tempo o ministro Lino andou muito calado e parecia ter ficado mais sensato. Parece que volta agora à carga com a obsessão pela Ota.

O ministro Lino é o responsável pelo LNEC e mostra-se incuravelmente parcial neste assunto.

Assim, antes de qualquer decisão definitiva sobre a localização do novo aeroporto, é imperioso que seja feita uma discussão pública dos relatórios da CIP e do LNEC.

Depois disso José Sócrates poderá tomar a decisão política que entender e assumir as consequências políticas dessa decisão.

Novembro 10, 2007

O cheque ensino

Andei em escolas públicas desde a antiga 4a classe. Hoje as escolas públicas têm uma qualidade muito variável. Colocar uma criança em certas escolas públicas chega a ser um atentado contra a criança. A escola pública deixou de ser uma alternativa fiável, sobretudo ao nível do ensino básico.

Contra o direito de escolha dos pais, parece que se defendem argumentos essencialmente ideológicos: quem não tiver meios para pagar uma escola privada para os seus filhos perde o direito a escolher que tipo de escola quer e tem que sujeitar-se a uma escola pública com uma orientação única.

Aqui a minha simpatia vai antes para um sistema mais livre que pode, além do mais, proporcionar uma melhoria séria no próprio ensino público.

Com o cheque ensino os "ricos" (esta classe engloba hoje em dia qualquer pessoa que não viva abaixo do limiar de pobreza!) apenas recuperam o direito de terem o ensino gratuito (afinal também são cidadãos que pagam impostos) enquanto os pobres ganham liberdade de escolha (Amartya Sen escreveu um livro com um título muito claro: "O Desenvolvimento como Liberdade").

Novembro 03, 2007

Há coisas estranhas

No novo código penal ficou claro que um abuso sexual de menores repetido sobre o mesmo menor pode ser considerado um único crime (final do n.º 3 do Art.º 30)..

Numa época de alarme quanto à pedofilia é de péssimo gosto dar qualquer sinal de abrandamento na punição deste crime.

Uma discussão mais técnica dos aspectos envolvidos e do percurso desta novidade pode ser encontrada aqui. Mas uma coisa parece clara: um dos principais protagonistas foi o deputado do PS Ricardo Rodrigues.

Ora, segundo a Acção Socialista:

Ricardo Rodrigues pediu a sua demissão de secretário da Agricultura e Pescas do Governo Regional dos Açores, na sequência de uma onda de boatos que o envolviam no escândalo de pedofilia na ilha de S. Miguel.

Não sei se há uma conspiração pedófila a dominar o PS, mas que certas coisas nunca deveriam aparecer todas juntas ao mesmo tempo parece-me evidente.

Este PS não tem parado de me desiludir. Onde se esperava um sinal que ajudasse a varrer os fantasmas do passado só aparecem sinais que não deixam ninguém descansado.

Outubro 01, 2007

Menezes e Sócrates

Apesar de reconhecer a falta de brilho de M. Mendes, preferia-o a Menezes, que me parece mais preocupado em gastar o que puder para ser popular e aproveitar as vantagens do poder. Mendes fez frente aos autarcas (mostrando que ganhar eleições não é tudo) e prestou um inestimável serviço ao país ao obrigar à revisão do processo da Ota. Vivendo em Lisboa tenho também dificuldade em esquecer o que Santana Lopes fez à cidade: arruinou-a e vamos agora levar anos a pagar o que um homem fez em pouco tempo.

Mas, uma vez mais, como tem acontecido com muita frequência nos tempos mais recentes, as urnas não dão razão às minhas preferências. E isso por vezes até me tem parecido positivo. A questão agora é: quem ganha com a eleição de Menezes: o PSD, o PS ou o país?

Se supusermos que a maioria dos portugueses prefere políticos responsáveis, a eleição de Menezes deixa Sócrates sem oposição, o que lhe dará vantagem eleitoral e prejudicará o país.

Se supusermos que a maioria dos portugueses segue as tentações populistas (como me parece que fizeram a maioria dos militantes do PSD) então é agora que Sócrates começa realmente a ter oposição (no sentido de sentir ameaçada a sua reeleição em 2009) e isso talvez seja vantajoso para o país.

Que vos parece?

Setembro 15, 2007

Está tudo louco?

Uma ambulância segue na auto-estrada com um caso de emergência. A BT-GNR desconfia da urgência. Contudo manda parar e retém a ambulância durante 20 minutos. Só depois de minudências burocráticas e dois testes de alcoolémia deixa seguir a ambulância. O doente morre logo após chegar ao hospital. (notícia aqui).

A menos que os agentes da BT-GNR fossem médicos capazes de avaliar a situação clínica do doente, a sua obrigação era acompanhar a ambulância imediatamente ao hospital e depois averiguar a situação. Impedir a marcha da ambulância parece-me um comportamento gravíssimo que deveria ser passível de procedimento criminal e disciplinar.

Afinal as nossas forças de (in)segurança são preparadas para servir os cidadãos ou para servirem a burocracia e o seu amor próprio? Podem matar impunemente?

Setembro 12, 2007

Maddie e Gordon Brown

Um interessante ponto de vista de Domingos Amaral no Diário Económico, que pode ajudar a compreender alguns dos contornos deste caso.

Agosto 27, 2007

Forças de (In)Segurança

Estes casos continuam demasiado frequentes e impunes em Portugal.

Critérios

Se este médico tivesse feito alguma coisa realmente grave, como dizer alguma coisa sobre José Sócrates ou afixar uma entrevista do ministro da saúde, já estaria suspenso e com múltipos processos em cima.

Agosto 16, 2007

A ler...

Uma entrevista notável de Silva Lopes ao Diário Económico.

Agosto 04, 2007

Salazar ainda vive?

Têm sido múltiplos os casos de "azares pessoais" que acontecem a pessoas que se têm oposto publicamente a este governo. A injustiça do caso relatado no Público de hoje e a seguir transcrito parece evidente. Será que acima de tudo este governo quer deixar mais claro que quem se meter com ele será pessoalmente penalizado, independentemente de ter toda a razão do mundo?

Já agora, é este o espírito do Partido Socialista? Ou é mais o espírito do Estado Novo que venceu por dentro os ideais do socialismo? Formalmente a democracia derrotou o salazarismo mas parece que no fundo foi o espírito do salazarismo que venceu.

Lei deixa de fora professora que mais reclamou
04.08.2007, Isabel Leiria

Dulce Dias vê-se condenada à mesma instabilidade e aos "recibos verdes" que têm marcado a sua vida

Durante anos reclamou da situação que a afectava a si e dezenas de outros professores que, apesar de acumularem contratos e de serem necessários nas escolas, não tinham hipótese de entrar nos quadros, já que as regras do concurso nacional de docentes não permitiam a sua candidatura.

E, quando finalmente viu o problema na iminência de ser resolvido, acabou por se tornar na única docente de técnicas especiais a não ser abrangida pela portaria, anteontem aprovada em Conselho de Ministros, que determinou a vinculação de uma centena de profissionais com mais de dez anos ininterruptos de serviço.

Professora da disciplina de Comunicação (leccionada em cursos profissionais) há "19 anos, 10 meses e 20 dias", Dulce Dias vê-se assim condenada à mesma instabilidade e aos "recibos verdes" que têm marcado a sua vida. Tudo porque em 2005/2006 não conseguiu, pela primeira vez, uma colocação.

Apesar de, segundo o Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL) que tem acompanhado o caso, ser a professora de técnicas especiais com mais anos de serviço em Portugal, Dulce Dias viu-se ultrapassada num concurso para a escola de São João do Estoril no passado ano lectivo. Impugnou o concurso porque alega que as regras foram alteradas a meio, levando a que perdesse o primeiro lugar que ocupava na lista de candidatos. Mas enquanto aguarda a decisão do tribunal viu, entretanto, aprovada a lei que integra estes professores (de disciplinas de natureza profissional, vocacional ou artística) nos quadros do Ministério da Educação, desde que tenham leccionado sem interrupção durante dez anos, incluindo o de 2006/2007.

Ora esse foi precisamente o ano em que não conseguiu colocação. Sendo que se o ME não tivesse demorado mais de um ano a acatar a resolução da Assembleia da República, Dulce Dias teria sido integrada, de acordo com o previsto na primeira versão do diploma do ME e que definia 2005/2006 como limite. "A partir do momento que o ministério foi informado desta situação, e atendendo a que fui sempre eu que reclamei e trouxe o assunto para o Parlamento e para a comunicação social, só posso concluir que foi de propósito", lamenta. Contactado pelo PÚBLICO, o assessor do ME diz que "não faz qualquer sentido falar em perseguição política". "O ministério não faz perseguições políticas", reforçou.

Julho 28, 2007

Para pensar...

Julho 27, 2007

"A Ota é que não: é um erro trágico para o país."

Quem o diz é o último presidente da Portugália, vendida à TAP há um mês, nesta entrevista. Pelos vistos as companhias aéreas não estão assim tão convencidas do esgotamento da Portela. O que ressalta é que não foi minimamente estudada a manutenção da Portela nem a opção Portela+1.

Em que se baseiam então as decisões deste governo quando quer resumir tudo à alternativa entre Ota e Alcochete?

Julho 15, 2007

Quem assume a responsabilidade?

Quando casos destes se multiplicam, não estamos perante erros pontuais. Algo de muito grave está a acontecer.

Se mais ninguém for responsabilizado, a responsabilidade será do Primeiro Ministro, José Sócrates, tanto mais que este assume estar devidamente informado.

Julho 12, 2007

Congelar a democracia

Se não estou em erro li a seguinte história num livro publicado há alguns anos com o título "Humor que veio do frio". Continha anedotas que circulavam na antiga URSS sobre a situação que então se vivia por lá. Claro que este tipo de situações seriam impensáveis numa democracia ocidental.

Um homem chama burro a um ministro em público. É levado a julgamento secreto e condenado a três anos e três meses de prisão, sem que se saiba de que era acusado. Mais tarde um amigo do juíz pergunta-lhe a razão de ser da pena e este responde:

- Três meses de prisão por insultar um ministro.

- E os três anos?

- Isso é mais grave: ele divulgou em público um segredo de estado.

Junho 21, 2007

A ler...

Um artigo notável de um professor do MIT (via Blasfémias, originalmente no Norteamos) e alguns desenvolvimentos no Blasfémias.

Junho 17, 2007

A final e a Portela

Imagine que o vencedor do campeonato era escolhido por um jogo entre o F.C. Porto e o Alguidares de Baixo. E que o árbitro, por razões que ninguém entende, passou os últimos dois anos a garantir que o melhor clube do país era o Alguidares de Baixo, apesar de todos lhe apontarem que perdeu todos os jogos em que participou nos últimos 40 anos.

No caso da decisão de 1999 o árbitro Elisa Ferreira mostrou um cartão vermelho a Rio Frio, supostamente com base num relatório do fiscal de linha (Comissão de Avaliação do Impacto Ambiental) que se veio depois a ver que afinal dizia que não podia ser usado para tomar uma decisão e muito menos para mostrar um cartão vermelho a uma localização.

Avançar para uma comparação directa entre a Ota e Alcochete é repetir exactamente o mesmo processo surreal que levou à selecção da Ota. Se houvesse seriação, a Ota ficaria muito em baixo na classificação e seria preciso eliminar vários locais candidatos para que a Ota fosse escolhida. Contudo, em vez de um estudo comparativo dos múltiplos locais temos uma final entre uma localização sempre mal classificada (mas sempre levada à final por interesses misteriosos) e uma localização normalmente muito boa.

Neste momento não é possível perceber quais as intenções reais do governo. É por isso imperioso continuar a discussão sobre os critérios de escolha da localização de um novo aeroporto.

Contudo, supondo que este processo de decisão voltava a resultar na Ota isso poderia significar que para além da Ota não havia na região de Lisboa nenhum outro local para implantar um aeroporto internacional. Isto parece-me uma limitação estratégica muito grave, sobretudo considerando que ao fim de 10 ou 20 anos a Ota estará saturada.

Será que temos consciência que escolher a Ota por se considerar que "jámé" se poderia construir no "deserto" e entregar a Portela ao imobiliário significa que a região de Lisboa, além de ficar com um aeroporto com taxas caríssimas, nunca poderá expandir a sua capacidade aeroportuária além dos 40 milhões de passageiros que a Ota permite?

Junho 07, 2007

O que é a verdade?

Mário Lino disse ontem: "Não há nada para trás que não conduza à Ota".
São conhecidos dois estudos que comparam a Ota com outros locais: o da ANA de 1994 e o da AdP de 1999. Ambos consideram a Ota como a pior escolha. Mário Lino diz o que o DN transcreve.

Será que neste assunto pode-se dizer quaquer coisa e tudo passa por ser verdade?