janeiro 24, 2008

Sócrates e a liberdade de expressão

Sócrates apresentou uma queixa judicial contra um blogger. O motivo formal da queixa terá sido o facto de o blogger ter feito referência à "força de encobrimento e contra-informação do centro de comando e controlo do Gabinete do Primeiro-Ministro".

Se estre tipo de opinião política é para Sócrates algo que deve ser levado à justiça então há sérias razões para ficarmos preocupados com a democracia em Portugal enquanto Sócrates tiver qualquer cargo de responsabilidade política. Se dizer isto fosse uma ofensa a ser tratada em tribunal e não uma afirmação sobre a política do país, quantos processos não deveria Santana Lopes ter levado à justiça durante o tempo em que foi primeiro ministro?

Outra hipótese é que Sócrates tenha apenas querido perseguir o blogger porque este investigou e denunciou factos da vida académica pública de Sócrates que este nunca esclareceu completamente. Na verdade alguém com o peso de Sócrates não tem dificuldade em arranjar bons advogados (pagos pelo Estado, já que Sócrates se disse ofendido enquanto PM?). Em contrapartida um blogger que vive do seu ordenado pode ter que gastar muitos ordenados só para se defender de uma queixa, por mais cretina que seja essa queixa.

Qualquer das duas hipóteses anteriores deixa Sócrates no papel de alguém que eu não gostaria de ver à frente dos destinos deste país. Já chega de prepotências pessoais. Onde estão as virtudes republicanas?

2 Comments:

Blogger António Balbino Caldeira said...

Muito obrigado pela solidariedade, CA.

A pena é que não há a necessária punição da queixa que cala o cidadão arguido (o segredo de justiça...) e que dá a entender que é sobre uns factos (a licenciatura, o título de engenheiro, a pós-graduação em Engenharia Sanitária - que constituem o que chamei Dossier Sócrates) durante o tempo útil, enquanto na realidade se trata de um pretexto qualquer, só se conhecendo a verdade mais tarde. Em Portugal, o cidadão é uma migalha face à bota do poder, cuja influência se projecta de forma terrível sobre o poder judicial dependente.

26/1/08 13:09  
Anonymous Anónimo said...

Se não calar isso fosse uma ofensa a ser tratada em tribunal - então é que os nossos tribunais ficavam entupidos!

;)

27/1/08 00:00  

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